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Fotopintura e papiloscopia poética da imagem da fotopintura 1950 de Maria da Glória de Jesus Santos

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DataCite Commons2026-04-10 更新2026-05-07 收录
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https://redu.unicamp.br/citation?persistentId=doi:10.25824/redu/VJHBKC
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A fotopintura de 1950 de Maria da Glória de Jesus Santos apresenta-se como um vestígio sensível de memória e presença, onde imagem e gesto pictórico se entrelaçam. Nela, o retrato fotográfico é atravessado por intervenções manuais que intensificam traços, suavizam contornos e, ao mesmo tempo, instauram uma outra camada de existência, entre o registro e a fabulação. Seu rosto, cuidadosamente elaborado, carrega uma expressão que oscila entre a formalidade da pose e a intimidade de um tempo vivido, evocando dignidade e permanência. As cores aplicadas, possivelmente sobre tons sépia ou preto e branco, conferem vitalidade à imagem, produzindo uma espécie de reencantamento do retrato original. Mais do que uma representação, a fotopintura opera como um dispositivo de memória, onde o corpo-imagem de Maria da Glória se reinscreve no tempo, resistindo ao apagamento. Trata-se de uma imagem que não apenas documenta, mas também recria, abrindo espaço para imaginar as histórias, afetos e atravessamentos que constituem sua existência. A papiloscopia poética da imagem pode ser compreendida como um gesto de investigação sensível que toma a imagem não como algo fixo, mas como um território de vestígios, marcas e inscrições do vivido. Assim como a papiloscopia tradicional analisa impressões digitais para identificar singularidades, na dimensão poética ela se torna um método de leitura e criação que busca reconhecer as “digitais” do tempo, da memória e do corpo nas imagens. Nesse sentido, a imagem deixa de ser apenas representação e passa a ser rastro — um campo onde experiências, afetos e atravessamentos históricos se inscrevem. Cada imagem carrega uma espécie de “epiderme sensível”, onde camadas de existência se sobrepõem: o gesto de quem produziu, o contexto em que foi gerada, os silêncios que a atravessam e as narrativas que ela insiste em revelar ou esconder. A papiloscopia poética opera, então, como uma prática de escuta e fricção. Ela não busca decifrar a imagem de forma objetiva, mas sim ativar suas latências, permitindo que o corpo que a observa também seja afetado e transformado. É um processo relacional: ao tocar a imagem, o sujeito também é tocado por ela. Há uma troca de impressões — uma co-presença entre corpo e visualidade. No campo da criação, essa abordagem pode se manifestar como um procedimento de desmontagem e recomposição. Fragmentar imagens, ampliar detalhes, borrar contornos, sobrepor tempos — tudo isso são estratégias para evidenciar aquilo que normalmente passa despercebido. A papiloscopia poética, portanto, insiste no detalhe, no resíduo, no quase invisível, entendendo que é nesses lugares que a memória pulsa com mais intensidade. Além disso, essa prática se articula profundamente com questões de ancestralidade e memória coletiva. Ao ler imagens como arquivos vivos, ela permite acessar histórias que muitas vezes foram interrompidas, apagadas ou silenciadas, especialmente no contexto de experiências afro-diaspóricas. Nesse sentido, a papiloscopia poética também é um gesto político: reinscreve presenças, reativa narrativas e tensiona os modos hegemônicos de ver e interpretar o mundo. Por fim, trata-se de um modo de pensar-fazer onde imagem e corpo se contaminam. A imagem não está fora — ela atravessa, compõe e transforma o corpo. E o corpo, por sua vez, torna-se superfície de inscrição, arquivo vivo, lugar onde as “impressões” continuam a se atualizar. A papiloscopia poética da imagem, assim, é menos sobre olhar e mais sobre habitar a imagem, permitindo que dela emergem novas formas de existência, memória e criação. Essas imagens direcionaram a pesquisa por completo.
提供机构:
Repositório de Dados de Pesquisa da Unicamp
创建时间:
2026-03-18
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