Replication Data for: Os significados acerca da violência contra crianças e adolescentes, segundo os profissionais da educação
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Tipo de Pesquisa Trata-se de uma pesquisa exploratória de caráter qualitativo. Este tipo de pesquisa busca entender o fenômeno no contexto em que ocorre, proporcionando uma compreensão detalhada do comportamento humano e do ambiente social, valorizando as perspectivas e experiências dos indivíduos envolvidos (LÖSCH; RAMBO; FERREIRA, 2023). Participantes Participaram desta pesquisa 90 profissionais de seis escolas públicas de ensino fundamental I de Maceió, sendo quatro municipais e duas estaduais. A amostra de escolas participantes foi composta por conveniência, todas se situam perto da universidade responsável pela realização da pesquisa. Aspectos Éticos A pesquisa atendeu aos aspectos éticos envolvendo seres humanos, sendo aprovada pelo Comitê de Ética da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), obtendo Certificado de Apresentação e Apreciação Ética (CAAE), número 39947120.0.0000.5013, parecer 6.230.875 e autorizada pelas escolas cenários da pesquisa. Reitera-se que as informações foram coletadas após assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) pelos profissionais. Vale ressaltar que foram utilizados nomes fictícios a fim de preservar o anonimato dos participantes. Procedimento de Coleta e Instrumentos Todos os profissionais das seis escolas foram convidados para participar da pesquisa. A coleta de dados foi realizada no período de outubro de 2022 a agosto de 2023, durante as reuniões pedagógicas, adequando à disponibilidade da comunidade escolar. Ao todo foram realizadas seis oficinas, sendo uma em cada escola, momentos em que foi aplicado o Procedimento Desenho-Estória com Tema (AIELLO-VAISBERG, 1995). O Procedimento Desenho-Estória com Tema (DET), conforme proposto por Tânia Maria José Aiello-Vaisberg (2020), é uma variação do Procedimento Desenho-Estória (DE), criado por Walter Trinca em 1972 na Universidade de São Paulo. Originalmente, o DE foi desenvolvido como um instrumento auxiliar em entrevistas psicológicas não estruturadas e em testes projetivos gráficos e temáticos, com o objetivo de ampliar a compreensão da dinâmica psíquica por meio da produção de desenhos e narrativas espontâneas (TRINCA, 2013). O DE tem como base a teoria psicanalítica de Winnicott, com intuito de facilitar a comunicação emocional no contexto intersubjetivo (paciente e terapeuta), além de possibilitar a expressão do gesto espontâneo e da criatividade no encontro com o outro (TARDIVO, 2013). O Procedimento Desenho-Estória com Tema (DET), por sua vez, consiste na solicitação de que os participantes realizem desenhos e contem histórias a partir de um tema previamente definido pelo pesquisador. Essa técnica tem sido aplicada na investigação de representações sociais, permitindo o acesso ao imaginário coletivo e às dimensões inconscientes que permeiam determinadas temáticas sociais (SANTOS; PERES, 2020; XXXXX, 2021; XXXXX, 2022). Sua utilização é flexível, podendo ser aplicada a grupos diversos quanto à faixa etária, condição socioeconômica, nível cultural ou estado psicopatológico, desde que os participantes consigam expressar graficamente e verbalmente suas ideias sobre o tema proposto (AIELLO-VAISBERG, 2020). Para viabilizar a aplicação do DET de forma participativa e significativa, optou-se pela realização de oficinas como estratégia metodológica. Essas oficinas buscaram criar um espaço de acolhimento, escuta e criatividade, fundamentado no referencial teórico de Winnicott (2019). De acordo com o psicanalista (WINNICOTT, 2019), o “espaço potencial” é uma área intermediária entre a realidade interna e externa, que emerge na relação entre o indivíduo e o ambiente. No presente estudo, as oficinas foram concebidas como instrumentos para promover este espaço potencial, favorecendo reflexões significativas acerca dos significados da violência contra crianças e adolescentes a partir dos desenhos e das histórias dos profissionais da educação. Para aplicação do Procedimento Desenho-Estória com Tema, primeiramente foi oferecido aos participantes uma folha de papel A4 em branco e lápis preto. Em seguida, foi solicitado que elaborassem um desenho sobre a violência contra a criança e o adolescente. Após o desenho, pediu-se para que os participantes escrevessem uma história e dessem um título para ela. Para finalizar a oficina, realizou-se um momento coletivo, no qual os profissionais da educação - de forma voluntária - podiam compartilhar o seu desenho-estória e conversar acerca do que haviam produzido. A aplicação teve duração em média de 1 hora e 30 minutos a 2 horas. As oficinas foram conduzidas por pessoas de um grupo de pesquisa variando de duas a quatro pessoas (mestrandos e graduandos do curso de Psicologia), com a finalidade de distribuir as atribuições entre o grupo. As falas foram gravadas, sendo transcritas na íntegra após o encerramento da atividade, assim como foram elaborados diários de campo de cada um dos encontros. Análise de Dados A análise dos DET's foi realizada segundo Aiello-Vaisberg (2020). Para a autora (2020), o trabalho interpretativo dos desenhos se dá por três etapas: I) leitura flutuante; II) reflexão e; III) construção interpretativa por meio do que se destacou e completar o desenho. No entanto, Aiello-Vaisberg (2020) reitera que o pesquisador tem autonomia e é livre para criar as formas que o auxiliem na leitura transferencial do material, mas não se deve perder de vista o objetivo proposto, ou seja, a apreensão das representações sociais ou significados sobre o tema. A primeira etapa de análise possibilitou a elaboração de ideias preliminares de investigação e, posteriormente, o estabelecimento de critérios de análise. Os critérios foram definidos a partir de recortes de textos da história, do título e do próprio desenho, de modo a auxiliar na realização posterior da categorização temática. Foram estabelecidos 10 indicadores, sendo eles: pessoa que pratica a violência; gênero da pessoa que pratica a violência; pessoa que sofre a violência; gênero da pessoa que sofre a violência; tipo de violência; relação de parentesco; natureza dos atos violentos; forma dos atos violentos; local que ocorre a violência; e quem protege da violência. Para realizar a classificação do tipo e da natureza da violência utilizou-se a tipologia proposta pela OMS (2002), a qual é dividida em três grandes categorias, de acordo com as características de quem comete o ato de violência, são elas: violência dirigida a si mesmo (auto-infligida); violência interpessoal; violência coletiva. Essa categorização inicial faz a distinção entre a violência que uma pessoa inflige a si mesma, a violência infligida por outra pessoa ou por um pequeno grupo de pessoas, e a violência infligida por grupos maiores como, por exemplo, Estados, grupos políticos organizados, grupos de milícia e organizações terroristas. Cada uma dessas três grandes categorias é, posteriormente, dividida para refletir tipos mais específicos de violência: interpessoal (violência da família ou violência comunitária) e coletiva (social, política ou econômica) (OMS, 2002). A natureza dos atos violentos pode ser subdividida em: violência física, violência psicológica, violência sexual e negligência (OMS, 2002). Vale ressaltar que, em um DET, pode ter sido identificado mais de uma menção a um determinado indicador, como, por exemplo, indicar mais de uma pessoa que pratica a violência. Em razão desta multiplicidade de citações presentes nas produções, alguns indicadores ultrapassaram o somatório do número de participantes (n=90). Assim, salienta-se que, nestes indicadores, a quantidade foi feita em cima do valor total de citações. A segunda etapa teve como objetivo elaborar categorias a partir do material de estudo, ou seja, levar em conta tudo que se destacava nos materiais (DETs e transcrição das falas advindas das oficinas) que possibilitasse uma construção interpretativa dele. Vale salientar que este processo de categorização pressupõe a realização de uma separação e agrupamento das unidades de registro do material de estudo. Utilizou-se, portanto, da repetição dos termos e palavras enquanto procedimento de auxílio no processo de codificação e elaboração das categorias iniciais. Assim, foi necessário, a princípio, distinguir os temas de cada material separadamente para, em seguida, unir as temáticas e estabelecer as categorias. Portanto, os temas que apareceram com uma maior frequência e que se aproximavam foram agrupados para a elaboração das categorias. Posteriormente, a constituição de categorias intermediárias possibilitou o desenvolvimento das categorias finais de análise. Salienta-se que, na análise, optou-se por não fazer nenhum tipo de dedução, mesmo quando dava-se indícios de algo, registrando somente aquilo que estava explícito na história, no desenho e na fala dos participantes. Por último, a terceira fase, estabelecida por Aiello-Vaisberg (2020) como o momento em que se tem como objetivo a realização de uma reflexão sobre os materiais. Nesta etapa realiza-se o levantamento de hipóteses, inferências e interpretações dos resultados, que teve como base o referencial atualizado sobre o tema. (2025)
创建时间:
2026-01-30



